A ideia da criação de uma "Casa dos Poveiros" nasceu em 1929 na casa do alfaiate João Figueiras. No início pensou-se em criar grupos pró-Póvoa, tal como acontecia em Manaus, interligando os grupos de poveiros espalhados pelos estados do Brasil. Seria uma forma de unir as colônias poveiras e fazer propaganda da sua terra no país onde canta o sabiá. Dada a sua imensidão e a dificuldade de contactar os poveiros residentes nos mais recônditos lugarejos do país irmão, a ideia abortou. Na altura, era grande o surto de emigração para o Brasil. Gente nova à procura da árvore das patacas; fugindo dum país sem futuro, afogado em tristeza, desemprego e más condições de vida.

Nessa avalanche de jovens emigrantes poveiros, fervilhava urna sadia rivalidade desportiva entre o Varzim e o Sporting Clube da Póvoa, dois clubes que traziam colados ao coração. Habituados a conviver alegremente com as suas derrotas e vitórias, não podiam desabafar o fervor clubista por falta de lugares de convívio. Esse fervilhar do perde-e-ganha era "despejado" esporadicamente em qualquer esquina ou na mesa de um botequim em redor de um "chope" geladinho. Sabia a pouco, esse afiar de língua. Havia que se topar um local certo para se falar da Póvoa, dos amigos e dos clubes. Numa palavra faltava uma sede própria para matar saudades. Por outro lado, o caso do repatriamento dos pescadores poveiros chocou a jovem colônia emigrante. Se muitos pescadores regressaram à Póvoa para não se naturalizarem, outros por lá ficaram "vegetando" pelas praças com dificuldades econômicas. Era necessária e urgente uma instituição que lhes fizesse o cadastro e lhes tratasse das suas preocupações e necessidades. Esses dois itens, um local mata-saudades e uma instituição que zelasse pelos pescadores menos afortunados, foram o gatilho para a criação da "Casa dos Poveiros no Rio de Janeiro".

Por essa altura tinha regressado ao Rio, onde já estivera, João Figueiras (de seu nome João Joaquim Marques), que montou atelier de Alfaiataria na Rua Costa, 128. Como a casa era espaçosa, era lá que se reuniam alguns conterrâneos para falar dos assuntos da sua terra e da necessidade de se criar urna associação que conseguisse das autoridades brasileiras alguns benefícios para os pescadores poveiros que se fixaram no Rio. Reunião atrás de reunião, a certa altura os visitantes já não cabiam na sala de corte-e-cose de João Figueiras.

O entusiasmo e bairrismo era de tal ordem que se lançou a urgência de se criar uma "Casa dos Poveiros do Rio", custasse o que custasse. As reuniões passaram a ser diárias, João Figueiras desdobrava-se em contatos e os poveiros interessados multiplicavam-se. Finalmente, em 8 de Janeiro de 1930 era criada a "Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro", tendo como patronos o herói "Cego do Maio" e o escritor "Eça de Queirós". Os fins vinham explícitos nos estatutos aprovados: promover a união entre poveiros; fazer a máxima propaganda da Póvoa, como a mais bela praia do norte de Portugal e por ela trabalhar em todos os sectores; prestar assistência aos nossos irmãos mais necessitados e concorrer para o progresso do Brasil, dignificando assim Portugal. Para começar, a Associação dos Empregados do Comércio do Rio cedeu o seu salão Nobre. Seguiram-se salas na Rua da Misericórdia, Mercado de São José e Constituição. Finalmente, no Conselho Diretor de Álvaro Silva foi adquirido o bonito palacete da Rua do Bispo, atual sede.

Na primeira Assembleia-geral de 8 de Janeiro de 1930 foram eleitos e empossados os seguintes poveiros: Presidente' David Martins; Vice-Presidente Vicente Gonçalves; 1º Secretário - António Fernandes e 2" Secretário - Modesto Rodrigues Maio; Tesoureiro Eusébio Marques Torres; Vogais - João Gumes Cruz e Arnaldo Miranda; Assembleia Geral - Presidente, Adelino Macieira; secretários - Manuel Francisco Marques e Américo Rodrigues, Maio; Conselho Fiscal - Dionísio Moreira Ribeiro, António Monte Novo e José Ferreira.  

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